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Wey Criativa

Por Maria  Júlia Portela

     Publicado em 24 jan 2024, 07h12

Créditos: Eugenia Remark

A noite estava silenciosa no imponente edifício corporativo, onde apenas as luzes de emergência criavam sombras nas paredes amplas e de vidro. Clara, uma jovem analista financeira, havia ficado até tarde finalizando um relatório urgente. Enquanto caminhava pelos corredores vazios, equilibrando sua bolsa e uma pilha de papéis, ouviu passos firmes atrás dela.

— Está tarde, senhorita Clara — a voz grave e rouca de André, o segurança noturno, ressoou.

Ela parou, sentindo um frio na espinha que não era de medo. André era conhecido por ser extremamente profissional, mas Clara não podia ignorar o magnetismo daquele homem alto, de porte atlético, com olhos escuros que pareciam enxergar além das camadas que ela se esforçava para manter.

— Sim, eu sei. Mas tinha um prazo a cumprir — respondeu, voltando-se para encará-lo.

Ele deu um passo à frente, o uniforme ajustado delineando a força de seus braços e o peito largo. Clara tentou não desviar o olhar, mas o ar entre eles parecia vibrar.

— É perigoso ficar aqui tão tarde. Não há mais ninguém no prédio.

— Você está aqui, não está? — As palavras escaparam de seus lábios antes que ela pudesse pensar, carregadas de uma ousadia que ela não reconhecia em si mesma.

Um sorriso discreto surgiu nos lábios de André. Ele inclinou ligeiramente a cabeça, avaliando-a.

— Sim, estou. Mas me pergunto se isso é suficiente para acalmar sua preocupação ou… aumentar.

Clara sentiu o calor subir pelo corpo, e naquele instante, algo mudou. O ambiente deixou de ser apenas o escritório vazio e tornou-se um território carregado de tensão.

— Talvez seja o suficiente — disse ela, com a voz mais firme do que esperava, dando um passo à frente.

Ele não recuou. Pelo contrário, aproximou-se lentamente, cada movimento calculado, até que a distância entre os dois era quase inexistente. Clara sentiu o perfume amadeirado que ele usava, misturado ao aroma natural de sua pele.

— Você sempre foi tão corajosa? — perguntou ele, a voz baixa, quase um sussurro.

— Só quando vale a pena arriscar.

A resposta de Clara pareceu acender algo em André. Com um movimento repentino, mas ainda hesitante, ele ergueu a mão e deslizou os dedos pelo contorno do rosto dela, os olhos dela buscando permissão nos dele. Quando ele percebeu o leve aceno que Clara deu, não esperou mais.

Os lábios de André encontraram os dela com intensidade. O beijo começou hesitante, mas rapidamente tornou-se urgente. As mãos dele desceram pelas costas de Clara, segurando-a pela cintura, enquanto ela envolvia seu pescoço, sentindo os músculos tensos sob os dedos.

Ele a guiou até uma das paredes de vidro do corredor, pressionando-a gentilmente contra ela. A cidade brilhava ao fundo, mas Clara só conseguia se concentrar no calor que percorria cada centímetro de seu corpo.

— Se você quiser parar… — André murmurou, ofegante, seus olhos escuros a fixando com intensidade.

— Não pare.

André não hesitou mais. Ele afastou o blazer que Clara ainda vestia, deixando-o cair ao chão em um movimento quase cerimonial. Seus dedos experientes deslizavam pelo tecido da blusa dela, explorando cada curva como se cada toque fosse uma descoberta. Clara sentia como se o calor da pele dele transbordasse para a dela, deixando-a sem fôlego.

Quando ele inclinou a cabeça, seus lábios encontraram o pescoço dela, e Clara soltou um suspiro que ecoou no silêncio do prédio. A intensidade dos beijos se alternava entre suaves mordidas e um deslizar de língua que fazia o corpo dela responder instintivamente, pressionando-se contra ele.

— Você me provoca, Clara — disse André, a voz rouca de desejo. — Já faz tempo que tento me manter profissional perto de você.

— Quem disse que eu quero que você seja profissional agora? — respondeu ela, a ousadia em sua voz surpreendendo até a si mesma.

A resposta de Clara foi a fagulha que André precisava. Ele a ergueu com facilidade, posicionando-a na bancada de mármore próxima. As pernas dela instintivamente envolveram a cintura dele, puxando-o para mais perto. Ela podia sentir o quanto ele a desejava, a firmeza do corpo dele pressionando-se contra o dela, enquanto seus dedos ágeis trabalhavam no fecho da saia que ela usava.

Clara arqueou as costas quando sentiu as mãos dele tocarem sua pele nua, deslizando pelas coxas até alcançarem o ápice de sua excitação. André era cuidadoso, mas intenso, cada movimento calculado para arrancar dela os gemidos que ele parecia querer ouvir.

— Você é ainda mais linda do que eu imaginei — ele murmurou, os lábios viajando para a clavícula dela, enquanto suas mãos exploravam o corpo dela sem pressa, mas com firmeza.

— E você é muito melhor do que eu poderia sonhar — respondeu ela, os olhos brilhando com uma mistura de luxúria e admiração.

A tensão crescia entre eles como uma tempestade iminente. Clara puxou a camisa de André, desfazendo os botões com pressa, revelando o torso musculoso que ela sempre havia tentado ignorar. Seu toque deslizou pelo peito dele, provocando um gemido baixo que a fez sorrir com a confiança recém-descoberta.

Ele se inclinou novamente, e o beijo que compartilharam foi uma explosão de desejo. As mãos dela se enroscaram nos cabelos dele, enquanto os movimentos de André se tornavam mais intensos. Ele se posicionou entre suas pernas, seus corpos se encaixando como se fossem feitos um para o outro.

O ritmo começou lento, quase torturante, mas logo ambos sucumbiram à urgência que não conseguiam mais controlar. Cada toque, cada beijo, cada gemido ecoava pelo espaço vazio, criando uma sinfonia que apenas os dois poderiam ouvir.

Clara sentia cada fibra de seu corpo pulsar com prazer, até que uma onda avassaladora a tomou por completo. Ela segurou os ombros de André com força, sentindo-se como se estivesse sendo arrastada para um abismo de êxtase.

Ele a acompanhou, o corpo dele tremendo contra o dela enquanto um gemido profundo escapava de seus lábios. Eles permaneceram assim, ofegantes, seus corpos ainda entrelaçados, enquanto o mundo ao redor parecia ter parado.

— Acho que você me convenceu de que vale a pena arriscar — disse André, com um sorriso satisfeito, enquanto acariciava o rosto de Clara.

Ela riu, o som suave quebrando o silêncio.

— Espero que essa não seja a última vez.

André a olhou com intensidade, os olhos escuros brilhando.

— Definitivamente, não será.