Por Maria Júlia Portela
Publicado em 17 jan 2024, 12h21
Era uma tarde quente de verão, e o som de pássaros preenchia o silêncio no quintal da pequena casa. Clara aproveitava o momento de descanso em sua espreguiçadeira, cercada pelo aroma fresco do limão que crescia na árvore ao lado. Vestia um vestido leve, que grudava à pele levemente úmida pelo calor. A leitura de um romance não parecia suficiente para prender sua atenção, não naquele dia em que os olhos insistiam em desviar para a casa ao lado.
O vizinho novo, Lucas, era uma presença recente no bairro. Alto, de cabelos castanhos bagunçados e pele dourada pelo sol, ele parecia ter saído diretamente de uma capa de revista. A primeira vez que Clara o viu foi ao carregar caixas para dentro de casa, exibindo bíceps bem definidos. Desde então, seus encontros eram sempre casuais – um aceno ao cruzar a calçada, um sorriso breve ao pegar o jornal.
Naquela tarde, Clara ouviu o som de ferramentas. Curiosa, levantou-se e olhou por entre as frestas da cerca. Lucas estava no quintal, montando algo que parecia uma rede de descanso. Sem camisa, o suor escorria pela sua pele, fazendo os músculos brilharem sob o sol. Um arrepio percorreu o corpo de Clara, mas ela tentou afastar o pensamento, voltando-se para seu livro.
– Está espiando, Clara? – a voz grave dele soou de repente, quebrando o silêncio.
Clara sentiu o rosto corar.
– Não estava… Só ouvi o barulho e fiquei curiosa – respondeu, um pouco desconcertada.
Lucas caminhou até a cerca, apoiando-se com os braços sobre a madeira. Ele sorriu, aquele sorriso que parecia saber mais do que dizia.
– Quer ver de perto? – ele perguntou, com um tom que parecia carregar algo além da simples oferta.
Sem pensar muito, Clara aceitou. Assim que entrou no quintal dele, o cheiro amadeirado do suor misturado ao perfume invadiu seus sentidos. Ele mostrou a rede, mas seus olhos pareciam focados em outra coisa: nela.
– Parece que você também gosta de dias quentes – ele comentou, os olhos descendo sutilmente até o decote do vestido.
Ela riu, tentando disfarçar o nervosismo, mas sentia o coração acelerado.
– Eles trazem boas surpresas – respondeu, ousando um olhar firme para ele.
Lucas se aproximou, diminuindo a distância entre os dois.
– Clara, eu sinto que você já reparou em mim antes… Eu também reparei em você – confessou, a voz baixa e envolvente.
O calor parecia aumentar a cada segundo. O espaço entre eles se dissipou quando Lucas ergueu a mão, tocando de leve o rosto dela. Clara não recuou; ao contrário, inclinou-se para ele. Os lábios se encontraram de forma lenta, mas intensa. O beijo carregava uma química explosiva, como se ambos estivessem esperando por aquele momento desde o primeiro dia.
As mãos de Lucas percorreram as curvas de Clara, explorando cada detalhe com uma firmeza delicada. Ela sentiu a respiração acelerar enquanto ele a puxava para mais perto, o contato de seus corpos tornando impossível qualquer resistência.
Quando ela abriu os olhos novamente, já não sabia mais se era o calor do sol ou o dele que fazia sua pele queimar. Tudo que importava era que, naquele momento, o vizinho não era apenas uma distração – ele era o desejo em sua forma mais crua.
O calor entre eles era inebriante, um misto de desejo e excitação que parecia engolir o mundo ao redor. Lucas deslizou as mãos pelas costas de Clara, trazendo-a ainda mais para perto. Os lábios dele exploravam o pescoço dela, descendo devagar enquanto os dedos brincavam com a barra do vestido, subindo-o suavemente.
Clara suspirou, incapaz de esconder o efeito que ele tinha sobre ela. Sentiu as mãos firmes dele alcançarem suas coxas, apertando levemente, enviando ondas de prazer por seu corpo. Ele a conduziu para a rede que havia montado, sentando-se e puxando-a para seu colo, os olhos brilhando de pura fome.
– Você é mais linda do que eu conseguia imaginar de perto – sussurrou Lucas, com os lábios quase colados aos dela.
Ele começou a explorar com mais intenção. Os dedos deslizaram pela pele dela, traçando linhas invisíveis e provocando arrepios que faziam o calor subir ainda mais. Ele pressionou os lábios contra os dela novamente, desta vez com mais intensidade, enquanto uma das mãos subia, acariciando o tecido fino que cobria os seios dela, já respondendo ao toque.
– Lucas… – ela murmurou, quase como um gemido, as unhas arranhando suavemente os ombros dele.
O sussurro do nome dele foi o suficiente para que ele fosse além. Com movimentos experientes, ele abaixou as alças do vestido, expondo-a aos poucos enquanto seus beijos exploravam o colo dela. Quando seus lábios alcançaram um dos seios, ela arqueou as costas, sentindo o prazer pulsar em cada célula do corpo.
As mãos dele não pararam de explorar, descendo pela curva de sua cintura e alcançando o centro de seu desejo. Os dedos passaram a provocá-la por cima da renda delicada que ela usava, fazendo com que seus suspiros se transformassem em gemidos baixos.
– Tão molhada… – ele murmurou contra a pele dela, um sorriso satisfeito brincando em seus lábios.
Clara já não conseguia pensar em nada além do que ele fazia. Ele intensificou os toques, deslizando os dedos diretamente sobre ela, encontrando o ponto exato que a fazia perder o controle. Cada movimento era calculado, mas ao mesmo tempo cheio de desejo puro, como se ele soubesse exatamente como levá-la ao limite.
– Lucas, eu… – ela tentou dizer, mas as palavras se dissolveram em um gemido alto, enquanto o clímax a atingia como uma onda avassaladora.
Seu corpo tremeu, o prazer percorrendo-a de forma quase violenta, e ela segurou os ombros dele com força, enterrando o rosto em seu pescoço. Lucas continuou a acariciá-la suavemente, guiando-a até que a última onda de prazer a deixasse ofegante em seus braços.
O momento parecia perfeito, mas foi então que uma voz ecoou do outro lado da cerca.
– Clara! Você está aí? – Era o som de Ana, a vizinha idosa que adorava fazer visitas inesperadas.
Clara congelou, os olhos arregalados enquanto tentava recuperar o fôlego. Lucas segurou o riso, olhando para ela com um brilho divertido nos olhos.
– Acho que sua vizinha sente sua falta – ele provocou, ainda acariciando sua cintura.
Clara se levantou apressadamente, tentando arrumar o vestido enquanto o rosto queimava de vergonha.
– Droga! – sussurrou para si mesma, antes de lançar um olhar divertido para Lucas. – Isso ainda não acabou.
Ela correu para atender Ana, o corpo ainda pulsando com os resquícios do que acabara de acontecer. Lucas ficou para trás, com um sorriso satisfeito nos lábios e a certeza de que aquele era apenas o começo.
