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Wey Criativa

LION GUIMARÃES: A JORNADA INSPIRADORA DE UM ATOR BAIANO

Lion Guimarães @lionguimaraes, um nome que ecoa nos palcos teatrais, é um ator baiano cuja paixão pelo teatro transcende as barreiras da interpretação. No universo do teatro, poucos caminhos são trilhados sem uma história de paixão e desafios. Hoje, temos o prazer de conversar com este ator que tem conquistado corações e mentes com sua dedicação ao palco. Nesta entrevista, Lion compartilha suas experiências desde os primeiros passos no teatro até os maiores desafios e conquistas recentes. Vamos conhecer mais sobre essa jornada fascinante.

CARREIRA NO TEATRO:

O que te levou a seguir uma carreira no teatro?

— Foi uma paixão à primeira vista, minha mãe me matriculou em aulas de teatro sem que nem soubéssemos ao certo o que era. Comecei no teatro ainda criança e pra mim era o ápice estar no palco, sentindo a energia do público, com pouco tempo surgiram convites para trabalhos profissionais, e de repente eu já estava vivendo teatro diariamente.

Qual foi o momento mais marcante da sua trajetória até agora?

— A estreia de meu primeiro monólogo “Os Rinocerontes” escrevi o roteiro inspirado em uma história que adoro, convidei um ídolo meu para fazer a direção do espetáculo e com ele fizemos uma série de apresentações tendo sido muito bem recebido em minha cidade e nas cidades onde viajei com a peça.

PROCESSO DE PRODUÇÃO:

Como você se prepara para entrar no personagem?

— Dar vida a um novo papel é sempre algo desafiador, afinal cada personagem é único, o que gosto de fazer é estudar o contexto em que o personagem está inserido, me apropriar bem do universo que o cerca, afim de descobrir as peculiaridades dele, suas manias, velocidade corporal, gírias, enfim… Descobrir o que faz dele único e especial.

Alguma técnica ou ritual específico?

— Gosto particularmente de olha-lo no espelho, as nossas micro expressões embora não consigam ser captadas na distância do teatro me ajuda e fazer um distanciamento do meu eu para que eu possa encontrar a aparência do personagem e ai criar o corpo, encontrar a voz e fazer os sutis ajustes para tudo ficar harmônico. SIM EU AMO ME OLHAR NO ESPELHO, de alguma forma acho que isso ajuda a encontrar o personagem e por isso em minha casa eu tenho diversos espelhos em cada cômodo.

TRABALHOS RECENTES:

— No ano de 2024 estreei 2 espetáculos novos: “Dra. Shana Berta” sim é um trocadilho bem quinta série, mas o espetáculo é uma comédia adulta sobre sexo. “O Pequeno Imperador” esse foi um xodó, porque é uma história que já trabalhei anos atrás, mas agora fiz uma reformulação total na história e o resultado gerou muitos frutos positivos. Além disso tive o prazer de encarar um grande desafio de substituir uma amiga numa apresentação do espetáculo “O sumiço do Galinho Qui-ri-qui-qui” onde só tive um dia de ensaio e um dia para gravar o texto, foi tudo muito rápido e em cima da hora, o espetáculo era complexo com músicas e manipulação de fantoches, mas o resultado final foi bastante satisfatório. Acho que essa substituição foi o maior desafio que tive no ano de 2024.

Há alguma cena ou momento que foi particularmente especial para você?

— Teve uma cena engraçada, serve? (risos). Durante uma apresentação do espetáculo “Nelson em Jogo” os banquinhos estavam escorregadios, e tinha uma parte que eu deveria subir nos bancos menores e ir andando por eles subindo de nível até o banco maior de todos, no meio do caminho um dos bancos derrapou e eu cai de costas no chão, todos preocupados comigo e eu bem pleno morrendo de dor, segurei o personagem e recomecei a cena como se o personagem tivesse passado por aqui, e como se a peça fosse exatamente daquele jeito, (risos), se arregaça mas não deixa a peça ficar comprometida.

Homenagem da @prefeituradefeira através da @funtitec pelos relevantes serviços prestados à Cultura de Feira de Santana. 

TEATRO E SOCIEDADE:

Como você vê o papel do teatro na sociedade atual?

— O teatro sempre teve um papel fundamental na exposição de histórias para expurgar o ser humano, através das apresentações podemos vislumbrar a consequência dos atos que as escolham dos personagens levam, com isso sentimos e repensamos nossa própria vida e as escolhas que temos feito, além de ser um momento de diversão e socialização ir ao teatro.

O que acredita que o teatro pode ensinar ao público que outras formas de arte não conseguem?

— Acredito que todas as formas de arte ensinam e divertem e são maravilhosas, minha predileção para o teatro se dá pela possibilidade de unir em uma só modalidade várias, no teatro a gente canta, dança, toca, declama, temos luz e som, e principalmente está ali ao vivo com o público, é possível sentir a energia que emana da plateia quando se está no palco, e é possível sentir a verdade cênica nos atores quando se está na plateia.

PERSPECTIVAS E INSPIRAÇÕES:

Existe algum papel dos sonhos que você ainda não interpretou?

— Vários, o que tem de personagem e história que ainda quero contar, e a cada dia que passa chega mais um.

O que você espera alcançar em seus próximos trabalhos no teatro?

— Quero cada vez mais aumentar o alcance de meus trabalhos, quem sabe viajar mais para estados em que ainda não passei, quem sabe até poder levar meus espetáculos para outros países.

Qual é a relação entre o ator e o diretor durante o processo de ensaio?

— O diretor é uma pessoa fundamental para o processo, é dele a visão que se torna o espetáculo, basicamente um espetáculo de teatro é a visão do diretor sobre a história que o texto conta. E o ator é o instrumento que faz esse sonho do diretor sair do papel.

Como a colaboração entre vocês influencia a qualidade da peça?

— Eu gosto de usar um exemplo de um instrumentista, quando o tocador tem muita habilidade mesmo se o instrumento não é o melhor ele tira um bom som, mas quando ele tem o melhor dos instrumentos ele faz o inexplicável, da mesma forma se o instrumentista não é tão bom, mas o instrumento é incrível qualquer coisa que se faz no instrumento salva a música, (risos). Então o segredo é ator e diretor trabalharem juntos, um ajudando o outro e fazendo as coisas acontecerem

Como você passou a ser conhecido como o professor do Batman??????

— Então, eu sempre achei que os momentos de alongamento e aquecimento eram bem sérios e monótonos, até que um dia em um curso que fiz de palhaçaria o professor aplicou esse momento de forma lúdica, decidi que meus alongamentos e aquecimentos seriam lúdicos também, dessa forma homenageei esse ícone da cultura pop, o Batman vira um atleta em minhas mãos é tanta coisa que o herói consegue fazer que meus alunos dizem que só sendo um herói mesmo para conseguir reproduzir cada movimento, o engraçado é que desde a primeira oficina de teatro que ministrei até os dias atuais ainda faço o Batman com todas as minhas turmas, é quase como um ritual de iniciação, (risos), eles odeiam, mas amam.

Créditos: Adam West como Batman nos anos 1960 – Reprodução 

Quais foram os maiores desafios que você teve de enfrentar como um ator Baiano?

— O principal desafio é a falta de investimento e visibilidade, infelizmente por não termos um polo de produção áudio visual na Bahia os artistas desta região sofrem da falta de reconhecimento da grande massa, tendo meus resultados artísticos pouco prestigiados infelizmente.

Qual é personagem que você acha mais marcante em sua carreira?

— Berenguer de “Os Rinocerontes” foi um marco interpretar este papel.

Qual personagem te trouxe maiores desafios e por quê?

— Marinalva, interpretar minha primeira personagem feminina foi uma árdua tarefa. Mas me apaixonei por ela.

Créditos: gabrielimafotografia