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Wey Criativa

Daniele Tavares: Uma Jornada de Perseverança e Paixão pelo Teatro 

Daniele Tavares, @danitavaresr  um talento natural de Feira de Santana, é um exemplo inspirador de paixão e determinação no mundo do teatro. Formada em Letras Vernáculas pela UEFS e com especialização em Ensino de Artes pela Universidade Cândido Mendes, Daniele trouxe sua bagagem acadêmica que enriquece sempre suas performances no palco.

Sua participação em espetáculos como “Olhos da Cidade”, “Tabaco pra o Povo”, “Jingobel”, e “Sobre Memórias e Silêncio” mostrou não apenas seu talento, mas também sua resiliência e paixão inabalável pelo teatro, mesmo enquanto equilibrava sua carreira fora dos palcos e os desafios de ser mãe solo.

Agora, convidamos você a mergulhar em uma entrevista exclusiva, onde Daniele Tavares compartilha os desafios que enfrentou, as inspirações que a movem, e o amor incondicional que tem pelo teatro. 

TRAJETÓRIA ARTÍSTICA:

O que te motivou a se tornar atriz de teatro?

—  Birra de criança. (Risos). Havia um livro na casa de uma vizinha que listava e explicava sobre vários cursos de graduação. Eu devia ter uns 10 anos. Dentre os colegas, queriam ser advogados, médicos, professores e eu cismei que iria fazer Artes Cênicas, já que sempre gostei de “fazer arte”. Desde à alfabetização participava das esquetes, na escola, na igreja…

Quais foram os maiores desafios que você enfrentou como atriz?

—  Familiar, financeiro e conciliar com à vida acadêmica.

Há algum momento na sua carreira que você considera o mais marcante até agora?

—  Quando fui selecionada para cursar o Técnico de Teatro no Galpão de Artes. Fora a primeira audição que participei e, naquele momento, eu havia dado um ultimato para mim mesma sobre continuar no teatro.

“Já pensei em desistir do teatro inúmeras vezes…” “Porém, sempre que me afasto, sinto como se me faltasse ar, como se faltasse algo essencial”.

Qual personagem você considera o mais marcante de sua carreira e por quê?

—  Bertha. Personagem de Lembranças de Bertha, Tennessee Williams. Fizemos uma adaptação deste texto (Sobre Memórias e Silêncio) para uma apresentação única. Eu sou do drama! Aqui em Feira, as pessoas são mais da comédia. Há 4 anos um amigo me convidou para filmarmos um curta desta personagem; uma adaptação da adaptação. Foi especial interpretá-la mais uma vez.

Existe algum personagem que trouxe desafios únicos para você? O que tornou esse papel tão desafiador?

—  Maria Celeste. Personagem de Olhos da Cidade. Havia muitas semelhanças entre mim e a personagem. O desafio foi justamente distanciar a personagem da pessoa. Neste espetáculo havia interação com o público e eu ficava encabulada já que à personagem era extremamente sexual e eu temia que as pessoas que me conheciam não conseguissem diferenciar. E, mais recentemente Dra. Shana. O texto da personagem é enorme, e eu temia não conseguir memorizá-lo, já que à minha cabeça de mãe pós pandemia não é mais a mesma de tempos atrás.

COLABORAÇÃO E BASTIDORES:

Como você descreveria a relação entre você e o diretor durante o processo de ensaio?

—  Cumplicidade. Enquanto atriz tenho de depositar a minha visão, enquanto o diretor já tem uma visão pré-concebida da visão do autor. São muitos olhos! Entretanto, é mais fácil a gente acertar com a visão do outro. Por exemplo, em nossa cabeça a gente pode estar dando uma intenção correta, mas o diretor já tinha uma outra interpretação sobre aquela mesma cena/personagem. Como eu gosto de levar puxão de orelha, a opinião do diretor é importantíssima.

Como a colaboração com o elenco e a equipe técnica impacta a qualidade e o sucesso de uma peça teatral?

—  O que seria de uma peça teatral sem a equipe técnica e sem um elenco afiado? Seria o mesmo que nós sem Jesus! Por menor que seja o espetáculo, a equipe técnica é essencial, senão seria apenas uma esquete escolar. E, ainda assim, as esquetes escolares às vezes necessita de alguém pra dá o play e o pause no som. E, se for pra o elenco não está afiado, é melhor fazer monólogo. É maravilhoso você, por exemplo, esquecer uma fala e o colega te compreender pelo olhar e te auxiliar. Só quem já passou por isto sabe!

Créditos: gabrielimafotografia

“Sonhava em ser atriz desde criança, entretanto tive meus sonhos frustrados pela família, e pela minha falta de coragem”.

ARTE E SOCIEDADE:

Na sua visão, qual é o papel de uma atriz na transformação social através do teatro?

—  A atriz é a porta voz do que quer que seja transmitido no texto. O Artista, no geral. Temos o poder de transmitir informações e conscientizar à sociedade com o intuito de transformar a realidade. Sempre que conseguimos encaminhar à mensagem, a transformamos um pouquinho. Sempre que a piada funciona, sempre que o público chora é porque houve a compreensão do público. Enquanto artistas temos de nos atentar ao que estar sendo transmitido.

FUTURO E INSPIRAÇÕES:

Existe algum papel que você sonha interpretar e ainda não teve oportunidade?

—  Alguma vilã. Bruxa. Algo que não seja cômico.

Ps: E nós da Wey, aguardamos e torcemos por isto!

 Quais são seus objetivos para o futuro na sua carreira artística?

—  É tão difícil ter uma carreira artística, no teatro, em Feira de Santana, tendo um plano B financeiramente e mãe solo com genitor inexistente. Meu objetivo é poder viver exclusivamente da minha arte. Um sonho promissor, muito provavelmente, inalcançável. Ainda assim, um sonho. E um sonho alcançável é cursar palhaçaria.

Que conselho você daria para jovens, especialmente mulheres, que sonham seguir a carreira de atuação no teatro?

—  Tudo para as mulheres é mais complicado! Independente da carreira que sigamos teremos sempre de fazer malabarismo. Então, que façamos o que desejamos! Melhor sermos frustradas por termos feito o que queríamos e se decepcionado do que sermos frustradas por não termos tentado.

Encerramos essa entrevista com um profundo respeito e admiração pela trajetória de Daniele Tavares, uma artista que carrega no olhar a paixão pelo teatro e no coração a resiliência de quem nunca desistiu de seus sonhos. Sua história é a prova de que a arte sempre encontra um jeito de florescer, mesmo diante dos desafios.

Agradecemos imensamente por compartilhar conosco não apenas sua experiência nos palcos, mas também a sinceridade de quem vive intensamente cada personagem e cada cena. Que sua jornada continue inspirando outros artistas a seguirem firmes em suas paixões, mesmo quando o caminho parecer difícil.

 E para você, que sonha com o teatro, que se vê diante dos mesmos obstáculos ou que apenas se encanta com essa arte tão transformadora: siga em frente! Como Daniele bem demonstrou, o palco sempre recebe de volta aqueles que pertencem a ele.