Com 19 anos de experiência no teatro, Ângelo Máximo se destaca como ator, autor e diretor, deixando sua marca no cenário cultural. Desde o início de sua carreira, influenciado pelos textos clássicos do teatro grego, Ângelo encontrou no palco uma forma de expressão que vai além da atuação, enveredando pelo caminho da direção para ajudar na concepção e orientação das cenas.
Nesta entrevista, Ângelo compartilha as experiências que moldaram sua trajetória, desde as primeiras influências até os momentos mais marcantes, como sua estreia como diretor em “Vô Doidim e a Bruxa do Esquecimento”. Ele fala sobre a relação de cumplicidade entre ator e diretor, a escolha criteriosa dos textos e os desafios enfrentados nas produções teatrais, destacando o papel transformador do teatro na sociedade contemporânea.
CARREIRA E INFLUÊNCIAS:
O que te levou a seguir a carreira de diretor de teatro?
— O desejo de ajudar na concepção, ajudar a orientar o movimento de cena.
Existe algum diretor ou peça que te inspira profundamente?
— Comecei no teatro pelas mãos de Roberval Barreto. O primeiro professor a gente não esquece e Geovane Mascarenhas, que também foi meu professor em dramaturgia corporal. Estes nomes são grandes inspirações.
Qual foi o momento mais marcante da sua trajetória até agora?
— Ainda, em oficina, a primeira por onde comecei, o ensaio de uma cena para a mostra de resultados. A cena era de briga, coreografada, e durante o ensaio o murro foi de verdade no nariz, sangrou, o colega de cena se assustou, parou e eu pedi que continuasse a marcação. Depois que a cena terminou, que fui lavar meu rosto. Fui uma cena em que literalmente dei o sangue pela Arte. Depois dessa, a primeira estreia como diretor, com o espetáculo Vô Doidim e a Bruxa do Esquecimento. Em seguida, a nossa estreia do espetáculo O Palhaço quer ir ao céu.
Créditos: Vô Doidim e a Bruxa do Esquecimento
Qual foi a primeira peça que você dirigiu? Como foi a experiência?
— Vô Doidim e a Bruxa do Esquecimento. Foi um trabalho simples, ao mesmo tempo encantador. O texto de Nanna de Castro é riquíssimo e com elementos da MPB. Um espetáculo infantil que encanta, além das crianças, adultos e terceira idade também.
PROCESSO DE DIREÇÃO:
Qual é a relação entre o ator e o diretor durante o processo de ensaio?
— De cumplicidade, em que ambos têm que ter uma compreensão clara da história a passada para o público. É necessário, também que ator e diretor e estejam afinados no ajuste das ideias para a movimentação de cena e também na confiança mútua, o ator no trabalho do diretor e vice-versa.
Como a colaboração entre você e os atores influencia a qualidade da peça?
— É essencial para a criação de uma peça teatral de qualidade. O trabalho em conjunto do diretor com o elenco ajuda no processo de criação e ajuda muito na construção do trabalho, contribuindo muito para o resultado com ótima qualidade para o público.
PROJETOS RECENTES:
Conte-nos sobre sua experiência com Dra Shana?
— Este trabalho, inicialmente, foi pensando para 3 atores em cena, onde os mesmos seriam coapresentadores de um programa de Tv. Mas no decorrer do processo de escrita, acabei deixando o trabalho com uma única apresentadora e aumentando a quantidade de pessoas no elenco e como a peça se passa num programa de Tv, o elenco funciona como convidados que tiram dúvidas sobre a relação a dois, na hora H.
Espetáculo: Dra. Shana Berta: Tirando a Roupa do Atraso e Botando o Sexo em Dia.
Quais foram os maiores desafios e aprendizados desse trabalho?
— Acredito que um desafio a todo grupo com um novo trabalho para estrear, é o tempo. Porque, mesmo com um prazo razoável para deixar o trabalho pronto, percalços acabam acontecendo no decorrer do processo, que vai eliminando aquela margem de tempo que se imagina ser suficiente para deixar o trabalho afinado. Este é o maior desafio, o tempo, o prazo para deixar o trabalho pronto.
Há alguma cena ou momento que foi particularmente especial ou desafiador de criar?
— Tem uma cena, em que Dra. Shana recebe dois convidados ao mesmo tempo. Eles são homoafetivos e casado. Quando eu cheguei nesta cena, a inspiração travou e não consegui desenvolver o texto. Mas, como todo bom brasileiro que não desiste nunca, parti para pesquisas, pois não queria nada pejorativo nem vulgar, como a maioria das pessoas imaginam que seja uma relação de pessoas do mesmo sexo. Esse momento foi desafiador. Ao mesmo tempo, a preocupação geral com o texto foi deixá-lo leve, engraçado e ao mesmo tempo informativo. Objetivo atingido!
Homenagem da @prefeituradefeira através da @funtitec pelos relevantes serviços prestados à Cultura de Feira de Santana.
TEATRO E SOCIEDADE:
Como você vê o papel do teatro na sociedade contemporânea?
— O teatro é uma ferramenta poderosa. Contribui de forma ímpar para a sociedade, principalmente, nos que diz respeito às questões sociais. O Teatro ajuda a desenvolver atores que auxiliam na transformação social. O Teatro não é só entretenimento, é um veículo de reflexão e um retrato da sociedade. Ele alfineta e incomoda, apresenta perspectivas e realidades diferentes para que o público se sinta tocado e alertado, motivando-o a refletir e incentivando-o à ação na transformação da sociedade. O teatro é uma ferramenta poderosa para educar e conscientizar as pessoas, promovendo mútuas compreensões e pontes entre diferentes grupos da sociedade.
Existe alguma mensagem ou transformação social que você busca promover em suas produções?
— Sim. O cuidado com outro e o meio-ambiente e o autoconhecimento onde, o público ao se identificar com personagens e suas histórias, se liberte de suas angústias e encontre inspiração para superar os desafios da vida.
Como o teatro dialoga com outras formas de arte e cultura?
— O Teatro é uma Arte que sempre proporciona interação com diversas outras linguagens artísticas. O que amplia horizontes e proporciona outras formas de expressão. O Teatro, apesar de ser milenar, o diálogo com outras linguagens o torna sempre relevante e atual.
VISÕES FUTURAS:
O que você espera alcançar em seus próximos trabalhos?
— Além de divertir, proporcionar reflexões que ajudem o espectador a se sentir mais confiante, acreditar mais em si e entender que ele capaz de alcançar seu lugar ao sol.
Que conselho você daria para aspirantes a diretores de teatro?
— Ser diretor teatral é emocionante, desafiador. Exige paixão, criatividade e dedicação. Ler bastante sobre teatro, acompanhar a cena teatral, se atualizar sempre e não ter medo de desafios, não ter medo de criar nem experimentar nova ideias e abordagens artísticas.
