Por Leandra S. Silva
Publicado em 22 out 2024, 09h10
Uma celebração contagiante de inclusão e ousadia
Poucos musicais conseguem combinar humor, crítica social e canções cativantes com a energia vibrante de Hairspray. Desde sua estreia na Broadway, em 2002, até suas versões internacionais e cinematográficas, a obra provou ser uma celebração irresistível da inclusão, da diversidade e do poder da dança como revolução.
Créditos: Release: 1988 Director: John Waters
Baseado no filme cult de John Waters, lançado em 1988, Hairspray conta a história de Tracy Turnblad, uma adolescente com sonhos grandes e cabelos maiores ainda, vivendo na Baltimore de 1962. Apaixonada pelo programa de dança local The Corny Collins Show, Tracy conquista seu espaço no show, enfrentando preconceitos por sua aparência e liderando a luta pela integração racial no programa.
A trilha sonora, composta por Marc Shaiman, com letras de Scott Wittman e Shaiman, é um deleite. Canções como “Good Morning Baltimore”, “I Can Hear the Bells” e “You Can’t Stop the Beat” são emblemáticas por sua energia contagiante e mensagens de empoderamento. A direção original de Jack O’Brien e a coreografia de Jerry Mitchell garantiram que cada apresentação fosse um espetáculo visual e emocional.
Adaptações cinematográficas
O impacto de Hairspray foi amplificado com o lançamento do filme musical de 2007, dirigido por Adam Shankman. Estrelado por Nikki Blonsky como Tracy, John Travolta como Edna Turnblad e Christopher Walken como Wilbur, o filme trouxe ainda mais visibilidade à obra, com um elenco estelar que incluía Queen Latifah, Zac Efron, Michelle Pfeiffer e Amanda Bynes. A adaptação manteve a essência vibrante do musical, ajustando a narrativa para o público contemporâneo sem perder seu charme nostálgico.
O filme original de 1988, que inspirou o musical, também merece menção. Com direção de John Waters e a icônica Divine no papel de Edna, foi um marco de subversão e humor irreverente, características que a obra mantém em suas adaptações posteriores.
Adaptação cinematrográfica de 2007, Directed by Adam Shankman
Hairspray no Brasil
No Brasil, Hairspray chegou aos palcos em 2009, com uma montagem que conquistou o público e a crítica. Produzido por Ricardo Marques e dirigido por Miguel Falabella, o musical contou com Danielle Winits no papel de Amber, Edson Celulari como Edna e Simone Gutierrez em sua estreia deslumbrante como Tracy. A montagem brasileira preservou a energia vibrante do original, ajustando diálogos e algumas referências culturais para se conectar melhor com a audiência local.
A produção brasileira foi um sucesso, destacando o talento nacional e reafirmando a relevância do musical em qualquer contexto cultural. A mensagem de inclusão e empoderamento foi especialmente poderosa no Brasil, onde questões relacionadas à aceitação e à diversidade são amplamente debatidas.
Elenco da mais recente montagem brasileira do Hairspray. Créditos: Divulgação
A mensagem atemporal
Hairspray é mais do que um musical colorido e divertido; é uma carta de amor à coragem de ser diferente e à luta pela igualdade. Ao colocar o tema da integração racial em primeiro plano, a obra transcende sua época de ambientação e ressoa com debates contemporâneos. Tracy Turnblad não é apenas uma heroína adorável e otimista, mas um símbolo da mudança que todos podemos promover, seja no palco ou na vida real.
Assistir a Hairspray, seja em uma produção ao vivo, no filme ou até revisitando o longa de 1988, é um lembrete vibrante de que, no final, “você não pode parar o ritmo”.
