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Wey Criativa

Por Maria  Júlia Portela

     Publicado em 02 fev 2024, 11h42

Créditos: Eugene Lisyuk 

A livraria estava quase vazia, como era típico das noites de sexta-feira. Sofia trabalhava ali há dois anos e adorava a tranquilidade do lugar. O cheiro de papel e tinta misturado ao som suave da chuva lá fora criava um ambiente quase mágico.

Ela estava concentrada em reorganizar a seção de romances quando ouviu a porta de vidro se abrir. Levantou o olhar e viu um homem alto, vestido com uma jaqueta de couro preta, entrar. Ele parecia fora de lugar, mas ao mesmo tempo perfeitamente encaixado naquele cenário.

— Boa noite — ela disse, ajeitando os óculos no rosto.

— Boa noite — respondeu ele, a voz grave e envolvente. — Estou procurando algo específico, mas não sei bem como explicar.

— Talvez eu possa ajudar — respondeu Sofia, com um sorriso profissional, embora sentisse o coração acelerar sob o olhar intenso dele.

O homem caminhou até o balcão, deixando gotas de chuva escorrerem da jaqueta. Ele era charmoso de um jeito que Sofia não sabia lidar: barba por fazer, cabelos desgrenhados e um olhar que parecia despir sua alma.

— Estou buscando algo… que prenda minha atenção. Algo que eu não consiga largar.

Aquelas palavras carregavam um duplo sentido que Sofia não tinha certeza se ele pretendia, mas que a deixou levemente corada.

— Temos muitos livros assim — disse ela, tentando soar indiferente.

— Mas acho que você poderia me sugerir algo. Parece entender do assunto.

Havia algo no jeito como ele falava que fazia Sofia sentir uma tensão crescente. Ela pegou um dos exemplares que havia separado mais cedo, um romance arrebatador que sempre recomendava. Quando estendeu o livro, os dedos deles se tocaram, e a eletricidade daquele breve contato foi suficiente para fazer sua respiração falhar.

— Este é um dos meus favoritos — disse ela, quase em um sussurro.

O homem inclinou a cabeça, um sorriso curioso surgindo em seus lábios.

— Seu favorito, hein? Então eu definitivamente vou levar.

Enquanto ele examinava a capa, Sofia percebeu que não conseguia tirar os olhos dele. Ele era magnético, e o silêncio que se seguiu entre eles parecia estar cheio de coisas não ditas.

— Você costuma ler aqui? — perguntou ele, quebrando o silêncio.

— Às vezes. Quando está calmo.

— Parece calmo agora.

Sofia sentiu o sangue ferver sob a insinuação.

— É, parece.

O homem a observava com um olhar que parecia atravessar qualquer defesa que Sofia pudesse ter. O nome dele, ela descobriu ao processar a compra, era Rafael. Quando ele pagou pelo livro, seus dedos novamente se tocaram, e Sofia teve certeza de que o leve sorriso em seu rosto não era mera coincidência.

— Obrigado pela recomendação, Sofia — disse ele, enfatizando o nome dela com um tom rouco e grave que a fez estremecer.

Ele saiu da loja, deixando o cheiro da chuva fresca no ar. Sofia ficou parada por alguns minutos, tentando recompor-se, mas sentindo o calor persistir em sua pele.

Naquela mesma noite, enquanto fechava a loja, ouviu novamente o som da porta se abrindo. Era Rafael, agora sem a jaqueta, o rosto iluminado pelas luzes internas.

— Achei que tinha esquecido alguma coisa — disse ele, aproximando-se lentamente.

— O que você esqueceu? — perguntou Sofia, o coração disparando.

— Talvez coragem. Ou uma desculpa para voltar.

Ela piscou, sem saber o que dizer. Ele se aproximou ainda mais, até que ela sentiu a presença dele dominar o espaço ao seu redor.

— Eu não consegui parar de pensar em você desde que saí.

Sofia sentiu as palavras dele vibrarem dentro dela, despertando algo que ela havia tentado ignorar.

— Rafael, não sei se isso é apropriado…

— E se for inevitável? — Ele interrompeu, o rosto dele tão próximo agora que ela podia sentir o calor que emanava.

Antes que pudesse formular uma resposta, Rafael inclinou-se e a beijou. Foi um beijo lento no início, como se ele esperasse algum tipo de permissão silenciosa. Quando Sofia respondeu, entreabrindo os lábios, ele aprofundou o contato, suas mãos encontrando a cintura dela e puxando-a mais perto.

Ela deveria se afastar, mas cada fibra de seu ser implorava para que não parasse. As mãos dela subiram até os ombros dele, sentindo a firmeza de seus músculos sob a camisa úmida.

Ele a guiou para trás do balcão, o espaço estreito transformado em um refúgio íntimo. Com delicadeza, ele a sentou sobre a madeira polida, e seus dedos começaram a explorar a pele dela sob a blusa, fazendo-a arrepiar-se.

— Você é incrível, Sofia — murmurou ele contra seus lábios, os dedos traçando o contorno de seu rosto antes de descerem pelo pescoço e pelos ombros.

Ela arqueou levemente o corpo, o desejo crescendo a cada toque. Rafael era intenso, mas ao mesmo tempo gentil, como se quisesse saborear cada segundo. Ele deslizava os lábios pelo pescoço dela, mordiscando levemente, enquanto suas mãos exploravam as curvas que Sofia não sabia que poderiam ser tão sensíveis.

— Rafael… — ela sussurrou, sem fôlego, os olhos brilhando.

— Me diga se quiser que eu pare.

A resposta dela foi puxá-lo para outro beijo, mais urgente desta vez, deixando claro que não havia espaço para dúvidas.

Ele segurou suas pernas, puxando-a ainda mais perto. A conexão entre eles era explosiva, como se o ambiente ao redor tivesse desaparecido. Rafael era habilidoso, cada movimento provocando novas ondas de prazer.

Sofia sentiu o mundo girar quando finalmente se entregou completamente ao momento, os sons da livraria misturando-se com seus suspiros e gemidos abafados.

Quando o clímax a atingiu, foi como uma explosão que a deixou sem ar. Rafael a segurou firme, acompanhando-a enquanto seus corpos se moviam em perfeita harmonia, até que ele também fosse tomado pelo êxtase.

Por um momento, o silêncio reinou novamente. Rafael a segurou com delicadeza, o olhar suave contrastando com a intensidade de minutos antes.

— Espero que isso não a faça me odiar — disse ele, um sorriso travesso nos lábios.

— Se você prometer voltar amanhã, acho que posso perdoá-lo — respondeu ela, sorrindo de volta.