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Wey Criativa

Por Leandra S. Silva

     Publicado em 14 jan 2024, 14h50

Quando o amor persiste: uma análise de Love Never Dies

Existem histórias que parecem destinadas a acabar, e existem aquelas que insistem em viver. Love Never Dies, a sequência de O Fantasma da Ópera, de Andrew Lloyd Webber, pertence à segunda categoria. Com uma trama audaciosa e uma trilha sonora deslumbrante, a obra nos transporta para um universo em que a obsessão do Fantasma e o amor por Christine desafiam os limites do tempo e do espaço.

Estreando em 2010 no Adelphi Theatre, em Londres, Love Never Dies causou um turbilhão de emoções na crítica e nos fãs do musical original. Ambientada uma década após os eventos no Palais Garnier, a história se desloca para Coney Island, nos Estados Unidos, onde o Fantasma, agora um gênio da música e empresário de um parque de diversões, reencontra Christine Daaé. Ela, agora uma renomada soprano, viaja com o marido Raoul e o filho Gustave, atraída por uma oferta misteriosa para cantar na América.

A peça, no entanto, carrega o peso de ser uma continuação de um dos musicais mais celebrados de todos os tempos. A transição da ambientação gótica de Paris para a vibrante e caótica Coney Island foi uma escolha ousada, mas também polêmica. O design de produção de Bob Crowley é um espetáculo visual, com cenários que evocam a decadência de um parque de diversões do início do século XX, complementando a partitura sofisticada de Lloyd Webber, que mescla novos temas emocionantes a ecos do original.

Créditos: Tristram Kenton 

Entre os destaques musicais, “Till I Hear You Sing” emerge como uma poderosa abertura que traduz a saudade e o desespero do Fantasma. “Love Never Dies”, a balada-título, é igualmente marcante, com sua melodia arrebatadora que reafirma o amor eterno como tema central. A composição de Lloyd Webber mantém a qualidade esperada, mas a narrativa foi alvo de críticas por reimaginar os personagens de formas que alguns fãs consideraram incoerentes. Raoul, por exemplo, surge como um homem amargurado, distante do herói romântico de O Fantasma da Ópera.

No Brasil, Love Never Dies ainda não recebeu uma montagem oficial, mas é celebrado por fãs ardorosos do gênero musical. As produções filmadas na Austrália e no Reino Unido conquistaram um público global, e a gravação ao vivo da versão australiana, dirigida por Simon Phillips, é frequentemente considerada superior à produção original de Londres.

A trama finaliza com um clímax trágico e comovente, que reforça a ideia de que o amor transcende a vida e a morte. É uma visão que não agradará a todos, especialmente aqueles que preferem deixar O Fantasma da Ópera como uma história completa e autossuficiente. Ainda assim, Love Never Dies merece ser visto por sua grandiosidade visual e musical.

No fim das contas, talvez o verdadeiro mistério seja se o amor eterno do Fantasma por Christine é um triunfo ou uma maldição. Para os espectadores, Love Never Dies é um convite a revisitar o romance gótico sob uma nova luz, entrelaçado por paixão, música e a eterna busca por aceitação.